quarta-feira, 5 de maio de 2010

Entre o piano e o MDS


Silvio Garcia (sou eu) é apaixonado por música erudita e pianista de primeira. Na Intranet, vai assumir a coluna "Arte das Musas" (*) 



A paixão de Silvio por música erudita começou cedo. Filho de militar, seus pais cultivavam o sonho de um futuro promissor para o garoto. Alheio aos sonhos, seguia brincando nas ruas da capital catarinense, Florianópolis, até que, aos 14 anos, é apresentado ao teclado. Não se adapta, prefere um som mais complexo. O piano, no caso. Começa então a fuçar LPs de vizinhos à procura de Mozart, Chopin e companhia – a família nunca teve gosto por música clássica.


Paralelo as longas horas ouvindo violino e piano trancado no quarto, sob olhares assustados da família e dos amigos, Silvio se matricula num curso de extensão de piano na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Desde então, seus dias foram divididos em três tarefas básicas: escola, pela manhã; piano, à tarde; e música, à noite. “Meus pais respeitavam, mas não acreditavam que a música poderia ser minha opção profissional”, conta Silvio Garcia Martins Filho, hoje servidor da Diretoria de Programas da Secretaria-Executiva.

Sucessivas mudanças de cidades, devido às transferências militares do pai, não afastam Silvio do piano. Quando chega a Brasília, em 1997, após passar por Guaratinguetá, no interior paulista, vai direto à Escola de Música buscar uma vaga. Hesitante quanto à reação dos pais, opta pelo curso de Relações Internacionais, deixando a graduação de Música de lado.

Já se vão dez anos e Silvio não se profissionalizou no piano. Está com 27 anos de idade e se considera um “bom pianista amador”. Faz apresentações e dá aulas, entre outras atividades do mundo musical. Ao falar da paixão pelo piano, os olhos crescem, os gestos surgem e a boca não pára de explicar o que são fugas e recitais e porque o trio alemão – Bach, Beethoven e Brahms – é tão importante.

Antes de concluir o curso de Relações Internacionais, Silvio já trabalhava no Ministério da Agricultura com negociações entre blocos comerciais que lhe renderam muitas viagens, inclusive, internacionais. Isso aos 22 anos de idade, momento em que se afastou um tanto do piano. Poupa, pede exoneração e vai à Itália e não à Alemanha dos grandes compositores eruditos. “Viajei para conhecer e para aprender italiano.”, conta em português, apesar de falar também inglês, espanhol e francês.

Volta ao Brasil decidido a nunca mais largar o piano. E toma uma decisão – e frustra quem achava que seria se profissionalizar como pianista: ser servidor público. “Para me dedicar à música, preciso consumir cultura: viajar, ler, ir ao cinema”, começa a explicar o porquê de não se arriscar como músico. Para isso, seria imprescindível estabilidade.

Aí, ingressa no MDS, em agosto 2006, via concurso temporário. Gosta do que faz: acompanhar projetos envolvendo o Ministério e organismos internacionais, como BID, Bird e Pnud. Se as oito horas de trabalho Silvio leva enfurnado na sala 615 do bloco “C”, as outras ele ocupa de forma bem variada.

Quando não está tocando piano, está na platéia de concertos e recitais. É comum vê-lo bravo no Teatro Nacional Cláudio Santoro ou em outras salas de Brasília por indelicadezas do público. “Nós temos que entender que as pessoas vão ao concerto para apreciar música e não para conversar ou lanchar”, ressalta, repreendendo quem não pára quieto na cadeira ou leva criança, quando pequena, às salas.


Para incluir os funcionários do MDS no mundo da música erudita, o pianista Silvio vai assumir a coluna mensal "Arte das Musas" na Intranet. Todo dia 5, grandes compositores, divulgação, dicas e curiosidades dos concertos clássicos de música erudita estarão a um clique. Aguarde!

Vítor Corrêa
Internet-Ascom/MDS

(*) Texto publicado na intranet do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome em 04/07/07 

15 comentários:

fvelame disse...

Esse texto eu conhecia! Mas é bem legal, acho que sobre mim não daria para escreverem um parágrafo...vai passar a publicar as suas colunas da intranet aqui? Uma boa ideia!

Danielle disse...

Concordo com o Flávio que vc devia publicar as colunas da Intranet pra gente ler...e esse é um daqueles textos "vale a pena ler de novo"...bjim

André Pimenta disse...

Gente!!! Partidão esse menino!!!
Que historia de vida incrivel Silvio, nem imaginava!

Quem dera a minha tivesse metade dessa emoção =]

Rafael Moore disse...

Achei bem bacana conhecer um pouco mais sobre vc. Muitas informações em post só.
Incrível mesmo Silvio.
=*

Diogo Raeder disse...

Muito chique mesmo esse menino! Meu sonho ser que nem você quando eu crescer, Silvio!
Vai publicar os textos da coluna aqui, né?

Luciana disse...

coiso lindo! correndo muito?

Anônimo disse...

Nossa, você é lindo! E escrever super bem! E é músico! Quero te conhecer pessoalmente... Posso te adicionar no Orkut?

Princess Deluxxe disse...

vc é mesmo sofisticado, hein?
=)

Marcelo disse...

afff, esse carinha t conehce mais que sua mãe!

Fábio Leão disse...

Achei fascinante sua história. Pelos poucos post que li em seu blog, já fazia uma idéia sobre como foi sua trajetória de vida até hoje, mas não detalhadamente. Ao ler tal matéria pude perceber o quanto de bagagem você tem. Parabéns!
Desejo sempre muita sorte e felicidade na vida. Você merece por ser essa pessoa excepcional. Feliz é aquele que tem uma pessoa como você por perto!
Um forte e caloroso abraço,
Leão.

Mefisto disse...

Cadê os jornalistas (Mari?) pra me ajudarem com isso: o texto tem muita liberdade do entrevistador. Algumas pequenas mentiras e omissões que acho que deixariam a história muito mais interessante, mas o limite de espaço e a rápida entrevista não permitiram.
Por exemplo> não poupei um real para ir para a Itália. As razões foram outras.

Quanto a publicar aqui as colunas, já tentei algumas vezes, mas ninguém comentava. Eu costumo usar recursos de áudio que não dá pra usar aqui. Mas na próxima vou tentar usar apenas links do youtube. E aí, quem sabe, posto aqui.

Partidão? Pq mesmo eu tô solteiro?

Diogo, para com isso. :P

Luciana, tô esperando o dia que vamos correr juntos. Nem que seja pra fugir do ministério, né?

Anônimo, eu sei quem vc é e o que fez no verão passado! Vou te entregar viu? AHUAHUAHUAH. :p

Princess, me chamo silvio e vc é princesa... e eu que sou sofisticado? :) Anyway, obrigado.

Fábio, o post não é nada detalhado. Pula várias partes importantes da minha vida. Mas não convinha falar sobre isso no trabalho, né?

Obrigado a todos.

Marcya disse...

Não poderia deixar de dizer que, não bastasse todo esse currículo, ainda é liiiiiiiiiindo! Com essa foto aí vai chover pretendente. :oP

Dé Thomé disse...

lembro desse!

e me adiciona no orkut! =)

Paulo Victor disse...

caramba! bacana a biografia!
também tive aversão ao teclado, mas meu caminho foi o oposto.
qdo tinha de 7 pra 8 anos pedi que meus pais me matriculassem na aula de piano. eles botaram fé qdo me viram tocando, de ouvido, "olê, olê, olê, olá, lula, lula-la", em 1989, num pianinho de brinquedo. hehe.
o problema foi que a professora inventou de me apresentar aqueles acordes de teclado com acompanhamento. não tive paciência e minha última aula foi aquela em que a ela e uma aluna avançada tocaram um "parabéns pra você" todo elaborado, no meu aniversário. depois disso, nunca mais.
a culpa de não haver mais um pianista no mundo é, portanto, da tia fernanda! hehe.

Jane Murback disse...

Você é tão lindo!!!!