Estou há dias pensando em voltar a este meu cantinho para organizar algumas idéias. Acabei lembrando que só venho aqui nos momentos mais difíceis. Concluí que a felicidade não me é muito produtiva.
Lembrei também deste texto aqui e deste outro, e este e este e este, registros de momentos passados mas que guardam certa semelhança com o presente.
A vontade é de culpar alguém, alguma coisa, alguma ausência, algum excesso; mas não dá, não dá mais. É tudo minha culpa.
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Tristeza produtiva
Postado por
Silvio Garcia Martins Filho
1 pensé(es) rappelé(es)
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Schadenfreude
Incrementei meu humilde vocabulário no idioma de Goethe:
Schadenfreude (IPA: [ˈʃaːdənˌfʁɔʏdə]) - a German word meaning 'pleasure taken from someone else's misfortune'.
Curiosamente a palavra apareceu em bom (?) tempo. Traduz aquele sentimento que acomete algumas pessoas que têm prazer em ver a infelicidade alheia.
Acontece, meus caros, com mais freqüência do que podemos imaginar. Pior é quando vem disfarçado em atos ingênuos de pretensos amigos. Simplismos, soluções prontas, conselhos sempre a postos... cuidado! Há sempre uma dose de influência dos históricos pessoais, anseios, invejas etc. nesses atos. Parcimônia e reflexão é tudo o que posso recomendar.
Cheguei a pensar em me trancar em casa. Não mais veria ninguém. Até do amor pensei em fugir, ao som de "I'll Never Fall In Love Again":
I've been in love so many times / Thought I knew the score / But now you've treated me so wrong / I can't take anymore / And it looks like / I'm never gonna fall in love again / Fall in love, I'm never gonna fall in love / I mean it / Fall in love again / All those things I heard about you / I thought they were only lies / But when I caught you in his arms / I just broke down and cried / And it looks like / I'm never gonna fall in love again / Fall in love, no, I'm never gonna fall in love / I mean it, I mean it / Fall in love again / I gave my heart so easily / I cast aside my pride / But when you fell for someone else, baby / I broke up all inside / And it looks like I'm never gonna fall in love again / That's why I'm a-singin' it / Fall in love, no, I'm never gonna fall in love / Please don't make me / Fall in love again.
... felizmente essas idéias passam. O pessimismo vem em ondas e quebra lá longe.
(grazie, Cordelie, pelo envio do vocábulo e pela lembrança do sucesso de Tom Jones)
Postado por
Silvio Garcia Martins Filho
2
pensé(es) rappelé(es)
terça-feira, 14 de outubro de 2008
"Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara"
Finalmente assisti o filme "Ensaio sobre a Cegueira".
O dia para vê-lo não poderia ter sido melhor (ou pior, sei lá).
Quantas vezes mecanicamente olhamos mas não enxergamos?
Faltavam duas horas para o começo do filme. Por sorte, encontrei dois vizinhos do meu condomínio que haviam passado a tarde inteira caminhando (foram do final da asa norte até o Pontão e voltaram, passando pelo Brasília Shopping!) apenas para aproveitar o dia que estava bonito e conversarem. Me fizeram lembrar de um tempo que bastava a companhia de um bom amigo, nada mais, para fazer o dia feliz. Compartilhamos experiências diversas, entre elas um singelo teste por um deles sugerido:
Quando conheceres alguém interessante, faça ele(a) assistir "o Fabuloso Destino de Amélie Poulain" (claro que a dica vale para qualquer outro filme, livro ou música que você goste muito). Se não despertar nele(a) nenhum sentimento, avalie bem se é interessante mesmo.
Freqüentemente desprezamos pequenos sinais no nosso cotidiano, nos apegando ao que queremos que os fatos sejam/representem, ao invés de aceitar o que eles de fato são/representam. Não enxergamos.
Enfim, o filme, maravilhoso. Não há nada novo para dizer. As perguntas devem ser as mesmas que todos fazem ao ler o livro ou verem o filme:
- Como pode a falta de um dos nossos cinco sentidos acabar tão rápido com o pouco de civilidade que construímos ao longo de séculos?
- (essa aqui foi roubada de um amigo): Será que já não estamos desprovidos de um sentido que não nos permite ver a realidade como ela é? (só isso justificaria a nossa dificuldade de viver em paz com o próximo)
- Quando vivemos para a satisfação das nossas necessidades mais básicas, egoisticamente, o resultado pode ser desastroso para a sociedade como um todo, não?
- Nós somos 'aquilo' mesmo?
- Vemos, enxergamos, os dois ou nenhum?
- Quão grande seria o fardo de ser o único a enxergar? Como agir? Desistir? Cegar-se também?
(...)
Fui para casa um pouco mais tranquilo, não sei por quê.
Postado por
Silvio Garcia Martins Filho
0
pensé(es) rappelé(es)
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Amor?
Racional? Sei que não. Mas se eu sinto, o que fazer? Ignorar o sentimento? Se for para ser racional, fico eu com meus livrinhos, meu piano, um cinema dia sim, dia não, os amigos. Mas não... quero algo que até hoje não vi ninguém alcançar. Nunca vi nada parecido. Espero conseguir, aprendendo e ensinando, a dois, pois ninguém precisa se submeter às amarras desse meu ideal.
Postado por
Silvio Garcia Martins Filho
5
pensé(es) rappelé(es)
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Semântica, filologia, lexicografia e outros assuntos dos quais nada sei
Prevaricação, acutirrostro, farromeiro, repristinação...
Postado por
Silvio Garcia Martins Filho
0
pensé(es) rappelé(es)
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Sobre traição e lealdade (ou Crime e Castigo)
Uma história que ouvi recentemente me fez pensar no assunto. Não era assunto raro nos meus pensamentos mas, para minha própria sanidade, evitei por muito tempo.
...a gente nunca espera a traição, não é? Mesmo porque, se esperasse, não tinha porque namorar. Continuamente 'ficaríamos' com outros. Por mais que eu considere possível a hipótese de trair e ser traído, não sou hipócrita, não acho que valha a pena: tanto pelo mal que vai causar para o outro, para a relação e também para mim. São duas coisas para se pesar: a satisfação momentânea de um impulso e o namoro/encanto/respeito/etc... mas tudo isso varia, hoje eu sei, de relacionamento para relacionamento. Por isso devemos procurar alguém que compartilhe valores próximos.
O que me surpreende nas histórias que ouço por aí é: o que incomoda não é fazer, é ter que contar a traição para o outro. Isso eu não entendo. Como se, depois de fazer, não existisse uma verdade para se enfrentar. Não dizer não significa que a coisa não tenha sido feita. A verdade é uma só, dita ou não.
Se eu fosse dar vazão a todos meus impulsos, estava preso. Ou rico. Ou doente. Sei lá. Um pouquinho de respeito ao que eu acho importante me faz bem. E o outro agradece, tenho certeza.
E um pouco de sabedoria popular: "Trair e coçar, é só começar".
Postado por
Silvio Garcia Martins Filho
6
pensé(es) rappelé(es)
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Pequeno conto
Desde pequeno não gostava de calçar sapatos. Vivia descalço e por isso riam dele.
Todas noites pedia em suas orações um belo par de sapatos para acabar com todo esse sofrimento que, ninguém sabe explicar ao certo, a falta de sapatos pode causar.
Um dia, não se sabe bem quando, seu pedido foi atendido. Estranho foi que ninguém percebeu de imediato a mudança, nem mesmo ele. Quando se deu conta já estava perambulando por aí, calçando lindos sapatos; só então veio a conta: "nunca tirarás esse par que, com o passar dos tempos, ficará mais e mais bonito".
De fato, com o tempo, as marcas, ao contrário do esperado, fizeram o par mais firme, forte e atraente. Todos reparavam. "Que belos sapatos!", exclamavam.
Um dia, após ter ouvido essa frase em jantares formais, em viagens de avião, nas poucas noites que entregou-se a alguém, nas filas de supermercado, nas noites em que saía de casa, nos pontos de ônibus, cansou-se.
Jogou-os em um precipício e, como deles não podia livrar-se, com eles foi.
Postado por
Silvio Garcia Martins Filho
11
pensé(es) rappelé(es)
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
Ano-novo, vida nova e breves comentários de retomada de atividade neste blog que andava, pobrezinho, tão largado, como este que aqui escreve
O primeiro dia do ano foi-se tão-somente para a cura da ressaca da festa de reveillón, regada a muiiiiito, muiiiiiito, muiiiiiito Chandon. Não fosse a visita de um amigo, teria a ressaca durado mais um dia. Um viva para os amigos que nos visitam e querem saber se estamos bem!
E se o ditado que diz que o que se faz no primeiro dia do ano se repete durante todo ele, estou f&¨%#*.
Mudando de assunto: assumi a tarefa de cuidar da gatinha de uns amigos que viajaram. Inicialmente, odiei a incumbência. Já no segundo dia me vi atraído pela xaninha (?); ela lá, me esperando para uns afagos, com aqueles olhos molhados e miado mole, como quem diz: "não vai não, me toca, me aperta, fica mais comigo". Ahn, tem os pêlos que tomam conta do ar, do sofá, da maçaneta da geladeira, da sua calça de trabalho, o cheiro da areia (eu acho que tá na hora de trocar), as súbitas mudanças de humor, do tipo: "ai, cansei do seu carinho, fssssss, sai pra lá", as garrinhas que furam sua bermuda e tudo mais... mas ela é fofa.
Tomei isso como um exercício de altruísmo, exercício extremamento válido, considerando-se o ano passado, egocêntrico até dizer chega. Tá na hora de colocar em prática com gente, não?
Postado por
Silvio Garcia Martins Filho
7
pensé(es) rappelé(es)
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Obrigações
Dezembro é o mês de obrigações: festas de confraternização, amigos ocultos, listas intermináveis de presentes, festas e mais festas, despedidas, chegadas, Natal... uma chatice só! Odeio TER que. Eita verbinho chato! Tento me convencer que eu QUERO voltar a escrever aqui, registrar minha viagenzinha de férias para SP, fatos curiosos, excitantes, interessantes, estrombólicos, as conclusões acerca do desempenho do ano, as perspectivas de ano novo, as novas inquietações, angústias, sonhos... mas o TER que parece soar mais forte. Assim, continuo neste silêncio por mais um tempinho enquanto houver qualquer indício de que alguma força externa (e a consciência, determinação, vontade, onde ficam?) me induz a fazê-lo.
AHHHHHHH!
O espelho, 1975, óleo sobre madeira 150 x 120 cm - Siron Franco
Postado por
Silvio Garcia Martins Filho
7
pensé(es) rappelé(es)
Arte das Musas - novembro e dezembro/07
A presente coluna será um parêntese à apresentação dos períodos da música erudita feita até então. Quando abordei o romantismo, ressaltei a importância que adquiriu a ópera, gênero artístico que mescla teatro e música. Assim, pretendo abordar aqui um pouco desse tema, apresentando alguns conceitos importantes para a sua apreciação.
Diz-se que a ópera surgiu no final do século XVI, mas foi no classicismo e, principalmente, no romantismo que ela tomou grande vulto. Entretanto, não é intuito desta coluna apresentar a história da ópera.
São vários os elementos comuns entre a ópera e o teatro. Uma diferença é a letra, ou texto, conhecido como libreto. Algumas vezes o compositor contava com um libretista, que adaptava a obra escolhida, ou então o próprio compositor se encarregava do libreto, adaptando uma obra literária ou criando um original. O trabalho do libretista é tornar o texto apto a ser musicado.
Outra nomenclatura comum no mundo da ópera é a classificação dos cantores e seus personagens pelos timbres vocais. As vozes masculinas são geralmente classificadas em baixo, barítono, tenor e contratenor, da mais grave para a mais aguda. As vozes femininas, por sua vez, e da mesma forma, classificam-se em contralto, mezzo-soprano e soprano. Também se convencionou adicionar uma subclassificação a esses nomes, detalhando características da voz que melhor definem o timbre e o personagem a se interpretar, enquanto aquela primeira classificação está mais relacionada à tessitura, ou extensão vocal. Por exemplo: o Tamino, da Flauta Mágica de Mozart, é um tenor-ligeiro (‘leggero’ em italiano quer dizer leve), enquanto a Rainha da Noite, da mesma ópera, é uma soprano coloratura. Dificilmente uma soprano lírica conseguiria interpretar a Rainha da Noite ou – praticamente impossível – uma mezzo-soprano fazer esse mesmo papel.
Em comparação à música sinfônica e instrumental, uma diferença nas apresentações de ópera são as divisões da obra. A ópera começa com uma Abertura, em que são apresentados elementos que introduzem a atmosfera que vai permear a obra. Vi certa vez, em uma montagem de “La Traviata”, de Verdi, baseada no romance de Dumas “A Dama das Camélias”, as cortinas se abrirem aos primeiros acordes da Abertura e, no palco, apenas uma lápide antecipando o fim trágico da tuberculosa Violetta. Ahn... Não se preocupe! Não é um problema saber o final da história, se afinal são sempre as mesmas, mas sim como ela vai ser contada ou, no caso, montada.
Em seguida, temos os atos, grandes trechos da obra. Geralmente são de 2 a 4 atos, dependendo da envergadura da ópera. Em cada ato temos árias, momentos musicais para um cantor ou, se feitas para mais de um cantor, duetos, tercetos, quartetos e assim por diante. Há também os coros e os balés. Diferentemente da obra sinfônica ou instrumental, terminada uma ária cuja interpretação tenha sido muito boa, cabem aplausos, assovios e ‘bravos’.
Por fim, há também os recitativos, trechos musicais que são um meio termo entre o canto e a fala. O recitativo é a maneira como os personagens normalmente "conversam". Esse recurso é especialmente utilizado na ópera italiana, visando não quebrar a atmosfera musical. Alguns outros compositores optam pela fala, requerendo dos cantores seus talentos de atuação como se em um teatro estivessem.
Não disponibilizarei aqui trechos de óperas, pois para sua apreciação não apenas a audição é demandada, pois também é preciso ver. Assim, recomendo para os iniciantes as óperas Carmem, de Bizet, La Traviata, de Verdi, A Flauta Mágica, de Mozart, e o Barbeiro de Sevilha, de Rossini. As duas primeiras são óperas dramáticas, com lindas árias. A terceira é uma ópera fantástica, filosófica e magistral criação do mestre Mozart. A última é uma ópera cômica deliciosa e divertida. Para os já iniciados, sugiro as óperas de Puccini, como La Bohéme e Turandot; Tristão e Isolda, de Wagner, e Der Mond, de Carl Orff. Essas obras podem ser facilmente encontradas em DVD ou, dada a (infelizmente) pobre produção operística em Brasília, apreciadas em teatros do Rio de Janeiro, São Paulo, Manaus e Belém, entre outros.
Outra dica é o programa Vesperal Lírica, da Brasília Super Rádio (FM – 89,9 MHz ou http://www.superfm.com.br/), que consiste na transmissão de óperas completas, aos sábados, das 17 às 20 horas, e o Bravíssimo, da mesma rádio, que apresenta aos domingos, das 19 às 20 horas, um confronto entre duas árias cantadas por dois intérpretes diferentes. E sempre com breves comentários para a informação e o deleite dos apreciadores do "bel canto".
Bom proveito e até a próxima!
Postado por
Silvio Garcia Martins Filho
10
pensé(es) rappelé(es)
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Arte das Musas - outubro/2007
Retomando a apresentação dos períodos da história da música erudita, lembrando que já falamos sobre a música medieval e barroca e a música clássica, abordaremos hoje a música romântica. Desta vez a apresentação será esquematizada, para facilitar a leitura e esconder minha predileção pelo período, que certamente prolongaria demais o texto.
Localização temporal: Convencionou-se o seu início no ano da morte de Beethoven (1827) e seu término no início do Século XX, com a explosão do movimento modernista.
Significado: O movimento romântico constituiu uma reação ao racionalismo e ao classicismo, opondo o individualismo e o subjetivismo à universalidade dos clássicos.
Principais características: Nesse período foram flexibilizadas as formas, tão rigidamente aplicadas no classicismo, de modo a propiciar maior liberdade na expressão dos sentimentos. O espírito romântico concentra-se no indivíduo, marcando-se pelo lirismo, subjetividade e emoção, em reação à objetividade propugnada pelo Iluminismo. São comuns temas como o drama humano, a morte, os amores impossíveis, a solidão, as utopias e o escapismo.
Influências não-musicais: Houve grande interação com a literatura, a filosofia e as artes plásticas. Os “Lieds”, ou canções, para voz e piano, frequentemente utilizavam textos de escritores como Goethe, Rückert, Byron, Burns e outros.
A música programática foi outro gênero desenvolvido no romantismo, com raízes que podem remeter a obras como “As Quatro Estações” de Vivaldi e à “Sexta Sinfonia” de Beethoven, também conhecida como “Pastoral”. Nesse tipo de música, depende-se de outro fator de apreciação além da própria narrativa musical, remetendo a textos literários, como em “Má Vlast”, de Bietrich Smetana, “Also sprach Zarathustra”, de Richard Strauss, e a “Sinfonia Fantástica”, de Hector Berlioz.
Principais compositores e obras: É difícil listar poucos nomes quando se trata de um período que nos trouxe tão portentosos nomes. Eu destaco três:
Robert Schumann (1810, Alemanha - 1856, Alemanha). Compositor, pianista e crítico, sua figura é envolta por uma aura de lendas e curiosas histórias. Sua carreira como pianista foi cedo interrompida, diz-se, por um acidente com uma máquina inventada por ele para fortalecer os dedos (ah, esses pianistas...). Entretanto, é mais provável que o problema tenha se dado devido a um tratamento para sífilis à base de mercúrio. De pianista-compositor, a partir desse ‘acidente’ o próprio compositor viu-se mais como um compositor-crítico. A revisão e execução de suas obras passou a ficar a cargo da sua esposa Clara Wieck Schumann, filha do seu professor Friedrich Wieck, exímia pianista e, como o marido, entusiasta da poesia.
Sua primeira obra editada foi a “Variações sobre o nome ABEGG”, Op.1, cujas letras trazem duplo significado: o nome de uma namorada (à época ele não conhecia Clara) e, em alemão, “lá-si-mi-sol-sol”, tema que é apresentado em forma de valsa no início da música e reapresentado várias vezes de diferentes formas. Importantes e belíssimas são, para piano, “Davidsbündlertänze”, Opus 6 (danças dos companheiros de Davi, uma alusão àqueles que combatem os Filisteus, ou seja, Schumann e seus seguidores); “Kreisleriana”, Opus 16; “Carnaval - Scènes mignonnes sur quatre notes”, Opus 9. Vários temas e figuras rítmicas se repetem obstinadamente nas suas músicas, propiciando incomensurável prazer aos seus apreciadores que procuram essas ‘coincidências’. Há que se ouvir também o “Quarteto com piano”, o “Quinteto com piano”, os ciclos de canções “Liederkreis” e “Dichterliebe”, o “Concerto para piano” e o “Concerto para violoncelo”.
Frederic Chopin (1810 , Polônia - 1849, França). Pianista e compositor, sua música foi predominantemente escrita para o piano. Sua obra é reverenciada como parte fundamental do repertório pianístico, constituindo o que se diz ser uma base sólida para os estudantes e sempre um desafio para os profissionais. Há forte influência do folclore polonês na sua música (vide “Polonaises”, “Mazurcas” e “Canções”) e lirismo (ouvir as ‘melodias acompanhadas’ dos “Noturnos”). As obras mais virtuosísticas (“Estudos”, “Sonatas”, “Scherzos”, “Baladas” e os dois concertos para piano e orquestra) têm na dificuldade apenas um meio, e não fim.
Chopin se destacava no meio cultural da época pela sensibilidade. Em um desafio feito por um editor, que enviou um trecho de uma ópera de Bellini para os seis maiores pianistas da europa com o desafio de comporem variações sobre o tema selecionado, Chopin foi o único a compôr uma variação lenta, contrariando a tendência de exibicionismo virtuosístico tão cara à época.
Johannes Brahms (1833, Alemanha – 1897, Áustria). Sua obra encontra expressão em todas as formas, exceto balé e ópera. O que chegou até nós transparece uma quase perfeição, talvez devido ao perfeccionismo do compositor que diversas vezes destruiu partituras porque não as considerava boas o suficiente. Sua primeira sinfonia tomou cerca de 10 anos para ser finalizada, pois Brahms acreditava que após as sinfonias de Beethoven não havia mais o que se fazer no gênero sinfônico. A impressão que se tem é que se Beethoven tivesse escrito uma 10ª sinfonia, ela soaria como essa primeira de Brahms.
Brahms foi calorosamente recebido em casa dos Schumann, no ano de 1853, que recomendaram as obras do jovem compositor aos seus editores. Ainda sobre a sua relação com os Schumann, e um fato biográfico relevante com claros reflexos na sua música, tem-se a hipótese de que Brahms e Clara Schumann teriam tido um relacionamento amoroso, entretanto sem nenhuma prova concreta – ambos destruíram cartas que poderiam afirmar isso... A propósito, alguém pode imaginar como Clara conseguiria agüentar um marido trabalhoso (para não dizer outra coisa), cuidar dos filhos (foram oito!), gerenciar sua carreira como pianista de renome internacional, compor, revisar as obras do marido e ainda ter um amante?
É difícil a tarefa de indicar apenas algumas das obras de Brahms. É tudo digno da mais atenta audição! Mas me vêm à cabeça (ou do coração) os doloridos acordes do “Quinteto para cordas e piano em fá menor”, o “Trio para violino, cello e piano, em si menor”, os “Liebeslieder Waltzes”, para 4 vozes e piano a 4 mãos, os Quartetos de cordas, as 4 Sinfonias, os 2 concertos para piano e as danças húngaras (escritas para serem executadas no piano a 4 mãos; deliciosa atividade da qual Brahms tirou sábio proveito...).
Não escrevi aqui sobre vários temas importantes do romantismo: a ópera, o nacionalismo, o impacto da tecnologia na construção dos instrumentos e o conseqüente incremento da técnica instrumental, entre outros. Entretanto, sempre haverá mais a ser dito, felizmente. E é sempre aí que vem a música: para expressar o indizível.
Até a próxima!
Postado por
Silvio Garcia Martins Filho
4
pensé(es) rappelé(es)
terça-feira, 9 de outubro de 2007
Existe vida sem Poesia?
Não faz muito tempo eu rascunhei aqui:
Falta poesia na vida dos homens.
Será?
Não incorro em erro ao impor aos outros uma necessidade tão pessoal?
Tentando responder aquela pergunta, trouxe outras:
A beleza é uma abstração racionalizada fruto do ócio de alguns ou é manifestação natural?
Podemos falar em 'essencialmente' Belo?
Dunno...
Postado por
Silvio Garcia Martins Filho
9
pensé(es) rappelé(es)
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
16 razões para gostar de você

1- O calor da tua pele deixou marcas indeléveis na minh'alma
2- Teus olhos viram o que é em mim essência
3- Nossos espíritos se tocaram no gozo
4- Tuas palavras me divertem e instigam
5- Teu abraço me aconchega, aquece e protege
6- O que você tocou, o que é seu, seus presentes, o que foi seu, tudo me faz pensar em você
7- Eu vejo sinceridade e verdade na sua entrega
8- Me fazes sentir mais (n-complementos aqui)
9- "Forbidden love?"
10- Seu cheiro está em tudo que é meu
11- Eu planejo o futuro (e contigo!), coisa que raramente fiz sozinho
12- Meu coração se enche de orgulho quando te vejo falando com meus amigos
13- Você aprecia o que há de mais belo na música
14- Você instiga meu lado artístico, sendo pai, mãe e musa
15- Sua voz me desmonta, provocando aqueles calafrios de adolescente que ainda não conhece o amor
16- Nada mais parece me importar
Postado por
Silvio Garcia Martins Filho
7
pensé(es) rappelé(es)
Daily routine
Despertador. Soneca. Despertador. Mais 10 minutos. Despertador. Abluções matinais. TV. PC. Música: Brahms? Scarlatti? Dúvida. Vai Debussy mesmo. Suco de maçã ou leite de soja? Pão e geléias. Jornal. Escova de dentes, sensodine, cepacol. Chuveiro. Dove. Shampoo: 1, 2, ou 3? Sabonete líquido: Verbena ou pitanga? Toalha. Mach3. Cortes, muitos cortes. Ahn, as espinhas; que vontade de não sair de casa. Cueca, calça, camisa, cinto; gravata ou não? Última olhadinha no gmail/orkut. Carona sai em 5 minutos. Espero 10. Traaaaabaaaaaaalhhhhoooooooooo (cuidado com a dislexia!)... Almoço, êêê! Fila para entrar no restaurante. Papo gostoso gostoso/inteligente/erótico/pornô/político/econômico/social/moda/etiqueta. Solzinho na volta para o Ministério. 5 minutos na pracinha. Reflexões sobre a necessidade de humanização da Esplanada. Trabaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaalho (para se ler bemmmmm devaaagaaaaar)... Caminhada até a rodoviária. Gente, muita gente. Dá licença, seu moço. Ó meu pé aí! Ônibus cheio (ai, que saudade das vans). Corre, corre. Supermercado. Pão. Fila imensa. Comer correndo. Piano. Nossa senhora das escalas desencontradas em tons estranhos! Natação. Splash, splash. Banho. Musculação. Corrida. Cansei. Correr (de novo) do cachorro louco que mora no terreno vazio entre a academia e meu condomínio. Comer (outra vez). Telefone: mãe/pai. MSN/Orkut/Blog. Varrer. Pano no chão. Cheiro de limpeza. Outro banho. Meia-noite? zzzzzzz...
Postado por
Silvio Garcia Martins Filho
4
pensé(es) rappelé(es)




