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terça-feira, 12 de maio de 2009

O tempo

Já escrevi antes sobre ele aqui e aqui. As abordagens foram bem distintas, mas o tema nunca saiu da minha agenda.

Dizem por aí que o tempo tudo conserta. É verdade. Mas também é verdade que ele pode estragar tudo de vez. Acho que tudo depende do ponto de vista, não é?

Sempre defendi que somos responsáveis por tudo aquilo que nos acontece. O tempo é só meio para ajudar a cicatrizar os males e consolidar as decisões. Mas ele sozinho nada faz. Deixar as coisas se resolverem é covardia. Mas quem nunca fez isso que atire a primeira pedra!

segunda-feira, 11 de maio de 2009

E o vento trouxe de volta

Sempre deixei bem claro que a felicidade não me é muito produtiva aqui. Por isso estou de volta e me justifico pela ausência recente: Era feliz e não sabia. Too late, probably...

Apenas queria registrar, para me forçar a voltar aqui e refletir*, que meu caderninho de anotações está cheio de material para a semana.

* escrever no meu blog é um ótimo exercício de reflexão, pois ouvir/ler as minhas vozes interiores às vezes soa algo ridículo, o que me faz repensar algumas certezas outrora tão firmes; também ouvir as opiniões alheias, quase sempre de pessoas que mal têm - ou tem? é acento diferencial? caiu? - conhecimento do que está acontecendo, também força refletir sobre pontos que não havia considerado anteriormente. Essa exposição me força a pensar bem antes de defender minhas crenças e opiniões. Aliás, seria muito fácil me encastelar com certezas e não pô-las à prova. Li recentemente, aliás, que as crises são excelentes oportunidades para crescimento. Era alguém falando sobre a crise econômica, mas acho que isso vale para a vida pessoal também. Das crises vêm desafios, saímos da rotina. E meu lado Pollyanna me diz que a única crise verdadeira é a não querer lutar para superá-la.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Confissão

Como todo bom brasileiro, eu acredito em milagres.

terça-feira, 10 de março de 2009

Sobre tombos e túmulos


Coyote, desista!
Você sempre se ferra no final. Fica aí tentando, tentando, não obstante as provas irrefutáveis de que tudo vai dar errado. Você é o único a acreditar e isso não basta. Teimoso! Desista! No final só dói!

segunda-feira, 9 de março de 2009

O Amor nos tempos de hoje


Estou relendo pela terceira vez "O Amor nos Tempos do Cólera", de Gabriel García Márquez, provavelmente o meu predileto.

Acabei de reler um parágrafo que há uns quatro anos eu havia sublinhado, que descreve quando, em um dos jogos triviais da rotina do casal, os primeiros trinta anos de vida em comum de Fermina Daza e Juvenal Urbino estiveram a ponto de se acabar porque um dia qualquer não havia sabonete no banheiro:

"El incidente, por supuesto, les dio oportunidad de evocar otros, muchos otros pleitos minúsculos de otros tantos amaneceres turbios. Unos resentimientos revolvieron los otros, reabrieron cicatrices antiguas, las volvieron heridas nuevas, y ambos se asustaron con la comprobación desoladora de que en tantos años de lidia conyugal no habían hecho mucho más que pastorear rencores. Él llegó a proponer que se sometieran juntos a una confesión abierta, con el señor arzobispo si era preciso, para que fuera Dios quien decidiera como árbitro final si había o no había jabón en la jabonera del baño. Entonces ella, que tan buenos estribos tenía, los perdió con un grito histórico:
-¡A la mierda el señor arzobispo!"

Chegaram ambos ao final da vida juntos mas, por causa de uma discussão sobre se havia ou não sabonete na saboneteira, ficaram uns 3 meses sem falarem um com o outro e quase se foi uma chance provavelmente única (de recomeçarem separados ou de ficarem juntos, depende do ponto de vista do leitor). É claro, essa não foi a única razão da briga, pois havia outras pequenas questões latentes, ali debaixo do tapete. Foi o estopim. Mas... o que fazer? Desistir ou enfrentar juntos? Se o amor é verdadeiro, até nos tempos mais difíceis a resposta é óbvia; senão...
Uma pequena reflexão decorrente dessa leitura: "A sabedoria nos chega quando já não serve pra nada".

sábado, 15 de setembro de 2007

Pensiero e promessa del giorno

Outra vez o tempo, já comentado aqui e, indiretamente, aqui.

Um grande amigo que vocês não conhecem muito sabiamente me fez refletir sobre a singeleza de uma verdade incontestável:

"O dia 15 de setembro de 2007 terminou. Nunca haverá outro."

As implicações dessa simples contestação são grandes e não ajudam muito a curar minha ansiedade sem fim. Não é fim de ano ainda, momento usualmente dedicado a reflexões do gênero, mas eu parei alguns minutos para pensar nos meus passos e fatos recentes:

1980 - Nasci em Floripa/SC.

1984 - Minha memória mais antiga.

1986 - Minha primeira bicicleta.

1987 - Alguns ensaios de empreendedorismo (ou mesquinharia mesmo): alugava revistinhas usadas.

1990 - Me dedico à natação, ao estudo da língua inglesa e da matemática. Pouca coisa mais me interessa. Não sou aceito nos grupinhos, não encaixo, não tenho roupas legais, não entendo o mundo.

1991 - Começam as transformações que me fazem recusar aquele corpo como meu. Espinhas, barba, mãos e pés imensos. Tudo contribuía para a feiúra crescente.

1992 - Meu prognóstico: não passaria dos 20, quiçá dos 22. Saio de uma escola particular, razoável, para uma escola pública, péssima. Nunca mais voltei a ter bons estudos. Aliás, conto nos dedos os bons professores que tive nos anos seguintes.

1993 - Madonna e Michael Jackson vêm ao Brasil. Me lembro de estar deitado no quartinho do quintal da minha casa, ouvindo ela cantando, ao vivo, e eu chorando por não poder estar lá.

1994 - Pesadelos constantes com a piscina do clube no qual eu nadava (já estava quase entrando para a equipe de competição) e o ódio mortal daquele frio que fazia nos invernos florianopolitanos me fizeram largar a natação. Trabalhei dois meses em uma lanchonete com o intuito de juntar um $$ para comprar um teclado. Começo a vasculhar os discos dos vizinhos em busca da música dos grandes mestres.

1995 - Ano importante: Começo os estudos de piano na Udesc. No meio do ano me mudo para Guaratinguetá - chovia em Floripa -, de ônibus, deixando para trás a segurança, deixando aqueles que pensava que seriam meus amigos para sempre - errei - e com a certeza que nunca mais seria o mesmo - acertei.

1996 - Meu primeiro festival de música: me lembro de chorar a minha mediocridade por duas semanas. Não tinha amigos, não lia, não ia ao shopping, e só tinha ido ao cinema para ver filmes dos Trapalhões quando era pequeno. Minha primeira namorada, meu primeiro beijo. Lembro da lua naquela noite.

1997 - Chego em Brasília, de ônibus - chovia -, sozinho, no dia do meu aniversário. Começo a conhecer pessoas que me incentivam intelectualmente.

1998 - Saio do meu quarto sem janela no cruzeiro velho e vago sem rumo por horas; queria chegar onde nada importasse; chovia; deito no chão da rua por um bom tempo e espero o tempo agir; nada aconteceu. Entro na UnB, depois de dois vestibulares fracassados.

2000 - Tendinite. 6 meses sem tocar. Para esquecer a dor, eu canto.

2002 - Formatura. Conheci o amor.

2003 - Fui feliz e sofri por amor.

2004 - Por amor, larguei tudo e fui para o além-mar. 3 meses apenas para ver que tudo aquilo era de vidro e se quebrou. Volto para o Brasil, com uma mochila apenas, e sem coração.

2005 - Ainda sofro por aquilo tudo... Sinto o peso de 1/4 de século

2006 - Tento consertar o anel, sem sucesso. Desisto do anel e do coração.

2007 - Já? 27 anos, sem rumo, lost e sem Lost, que só tem no ano que vem!

Conclusão: Nesse quarto de século a essência desgarrou-se do corpo. Agora ela vaga sozinha, em busca da sua matéria, enquanto esta se entrega aos prazeres momentâneos. Os outros apenas vêem em mim o que é carne e resultado de experiências carnais.

Terá o céu, o inferno, o mar e as estrelas quem reconhecer em mim a essência.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Tempus omnia terminat

Um colega que não via há muito tempo veio falar comigo depois de um concerto e perguntou se eu lembrava de uma outra amiga.

Claro que lembrava, pois tinha sido padrinho de um casamento junto com ela e nós estudamos música muito tempo juntos.

Pois... disse ele: ela faleceu, vítima do câncer, havia uns três anos.

Vejam só, o tempo, ele de novo, implacável. A gente se descuida um dia, um mês, de um amigo, arranja uma desculpa aqui, outra ali para não ver/ligar/escrever um simples e-mail, e o tempo vai passando.

Foi ontem que nos falamos... e hoje não a temos mais. Triste, muito triste.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Tempus Fugit

Nas situações de crise nos vêm à tona certos temas, aqueles que de certa forma nos intrigam.

No meu caso, o tempo.

Não o tempo como dimensão física, definido a partir da duração de uma transição eletrônica entre dois níveis específicos de energia entre os níveis hiperfinos do estado padrão não perturbado, num átomo puro de Césio , somando 9.192.631.770 períodos dessa radiação... ou algo assim.

...mas o tempo subjetivo e as percepções que enseja.

Quando criança, uma tarde durava uma eternidade. Entre o almoço e o programa do Bozo eu dormia umas duas vezes, fazia uns dois lanches, brincava e quando via não eram ainda nem 17h.
Tudo era novo, a ser descoberto.

O tempo foi passando, os mistérios descobertos, e as atividades passaram a ser rotineiras. Acordo e quando vejo, puf! Já são 20h! Fora um pôr-do-sol extraordinário, ou alguma música que tenha ouvido por acaso do carro ao lado que tenha me lembrado algo, o dia passa de forma quase mecânica. Não me despertam mais interesse todos aqueles sinais, símbolos, pessoas, gestos... fui treinado para isso.

A lembrança de outros tempos inclui "sons e perfumes permeando o ar da noite". Toda aquela sensação de satisfação, de conhecer e ignorar, de perder-se e encontrar-se. Tudo isso faz do passado pleno, atraente, terrivelmente atrativo. Um perigo para os depressivos.

A memória recente: acordar cedo, trânsito, 'conjunto, rodoviária, esplanada, tá vazio!", ofício, memorando, almoço ruim, "brasília, w3norte, tá vazio!", trânsito, muito trânsito, fome, sono, preparar o despertador.

Hoje creio que buscamos o desconhecido devido a uma necessidade de sentir novamente aquelas sensações da infância/adolescência, de constante descoberta. Parece não haver mais o que se descobrir. Que desespero!

Não é a falta de tempo que nos incomoda: a sensação de o tempo estar passando rápido demais se deve ao fato de não repararmos mais nas pequenas coisas. Ligamos o automático e, no máximo, reclamamos. E assim, o tempo vai passando.