segunda-feira, 26 de abril de 2010

Presente?

- Alô, é o Mephisto (*)?
- Sim, pois não.
- Aqui é Maria (*). Você acaba de ganhar um presente da Joana: (*) - minha vizinha à época - uma limpeza de pele. Vamos marcar um dia?
- Nossa, que legal! Estou mesmo precisando de uma. Podemos marcar na segunda que vem?
(...)

Antes da maldita limpeza de pele, ia ser dada uma festinha de aniversário para o filho da Joana. Quis retribuir o presente que ganhei e comprei um bolo da Monjolo e uns salgadinhos... coisa boba, gastei uns 100 pila. Como a mãe não tinha comprado NADA e convidou vários amigos para a sua casa (achei que iam apenas umas 5-10 pessoas), a comida acabou em uns 5 minutos. Acho que os esfomeados meninos não tinham comido nada o dia inteiro.

Enfim, caridade feita, lá fui eu para a 'limpeza de pele'. Chegando no local e hora marcados, dou de cara com uma vizinha do condomínio, vendedora da Herbalife...sozinha! Ela me convida para um chá (da Herbalife), mostra uma linha inteira de produtos e... passa um creme na minha cara. E só!

Vocês acham que:
1 - eu fiquei bravo?
2 - eu fiquei puto?
3 - eu quis matar?
4 - todas as alternativas acima?
(resposta na historinha abaixo)


Na mesma linha também posso contar um episódio em que uma amiga chegou de viagem, após alguns meses fora, e convidou todos os amigos para um lanche na sua casa. Ela queria fazer um anúncio. Achei que fosse casar ou algo assim. Quase desmarquei um compromisso, felizmente não. Muitos amigos foram. Após se depararem com uma reunião da Herbalife, com direito a exibição de filminho e tudo mais (claro, o chá 'energético' não podia faltar) acho que eles também escolheram a alternativa 4 acima.

Há certas condutas que deviam ser proibidas em lei, pois tem gente que não tem noção. HUMPFT!

(*) Nomes fictícios para proteger as 'vítimas'.

Desabafo

Sabe uma coisa que me choca? As pessoas não conseguem mais ficar quietas nem um minuto. Estão sempre achando que o mundo roda em torno dos seus umbigos. Estava assistindo Alice no País das Maravilhas no Pier21 (já havia prometido nunca mais lá voltar) e no meio do filme me dei conta de que além de dublado ele era narrado. Por que as pessoas precisam intervir, comentar, cochichar o tempo todo, hein? Por que não conseguem apenas se entregar ao deleite, à apreciação de uma obra feita por outrem?

domingo, 18 de abril de 2010

nota mental:

não falar com o porteiro de madrugada!

Ele não tomou o mesmo que você e não é obrigado a tentar entender suas vãs filosofias.

Doces ou travessuras

Não era chuva nem suor o que molhava meu rosto.

E então, a verdade veio numa lambida de cachorro.

Choros, gritos e noites mal dormidas fizeram sentido.

Era tudo preciso.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Confissão x

Estou passando por uma crise criativa. Além disso, quando algumas poucas ideias vem não tenho energia para começar a escrever. É difícil escolher a primeira palavra. Os textos que saem são à força e sem inspiração.

Uma coisa que tenho que superar é essa idéia boba de que tudo é óbvio. Cresci falando pouco, pois achava que nada valia a pena ser dito. Tudo que era interessante já tinha sido dito. O pouco que restava de interessante havia de sair das bocas de cientistas e artistas. Como não sou nem um nem outro, calei-me por muito tempo.

Então, pra começar o exercício, lá vai uma aparentemente obviedade: o nome do blog. Pensamentos esquecidos. A idéia do blog é refletir sobre aqueles pensamentos que em geral nos passam despercebidos. Idéias aparentemente tão singulares e experiências tão pessoais mas que podem, dependendo da abordagem, ganhar uma proporção mais ampla e generalista. E é este o intento aqui.

Gosto muito de ler comentários que mostram como outras interpretações dos meus textos sempre são possíveis. Por isso, meu convite: se gostou, discordou ou tem algo a acrescentar, por favor, comente! É só clicar no link 'x pensées rappelées', escrever seu comentário e se identificar (mesmo que seja como anônimo).

quinta-feira, 8 de abril de 2010

So long, farewell, au revoir, auf wiedersehen (ou confissões)

Assim não dá. Fico um tempinho longe daqui, as idéias borbulhando, mas na hora de escrever mal sei por onde começar.

Algum tempo atrás assisti o argentino "O segredo dos seus olhos". Muito poderia falar sobre ele, da genial mistura de gêneros (policial, drama e comédia), das memórias, do passado e presente, atuações, maquiagem e fotografia ou de como amei o filme e como sempre assisto filmes emblemáticos em momentos igualmente emblemáticos da minha vida. Mas não. Resolvi destacar uma cena sem maior importância: o casal de protagonistas está conversando à mesa e ela, sem nenhuma cerimônia, vai embora. Não que estivesse chateada, que tivessem brigado. Simplesmente o assunto acabou e ela se foi. Pode não ter sido bem assim, mas foi essa impressão que tive e que me fez pensar no que confesso a seguir.

Despedidas sempre me são demoradas. Penso sempre haver tempo para um cafezinho a mais, ou outro beijo ou abraço. A sensação é a de que eu posso morrer logo e nunca mais encontrar a pessoa. É tão bom conversar, trocar idéias, conhecer e deixar-se conhecer, que esses momentos poderiam durar para sempre. Então, como assim, levantar e ir embora sem um abraço mais demorado?

Admito: invejei o desprendimento, a leveza, a paz com que apenas com olhares eles se dizem 'até mais'. Essa ansiedade que me consome me priva com muita frequência de aproveitar melhor ainda as coisas.

Olcadil?

segunda-feira, 22 de março de 2010

Jardinagem - ou das relações humanas




Faz tempo que não escrevo aqui. Senti muita falta nos últimos dias. Acho que agora tenho todo o incentivo que precisava pra voltar a lembrar dos pensamentos ultimamente tão esquecidos.

Ontem me peguei olhando p'ras minhas duas plantinhas: uma orquídea linda que ganhei de aniversário e uma pimenteira que comprei assim que cheguei no novo (não mais tão novo assim) apê.

Uma precisa de bastante água. A outra, pouca.

Li um monte sobre cuidados com elas, mas a verdade só veio no dia-a-dia. Comecei testando um nível de água que achava razoável. Mas elas pediam às vezes mais, às vezes menos água. Varia com a umidade, calor... E todo dia lá estou eu observando se a quantidade de água que eu dou pra elas é adequada. Não adianta dizer o que é bom pra elas, pois não sou planta pra saber as suas necessidades. Elas falam por si só. E não adianta só escutar; tem que ouvir com atenção, procurar entender o que elas dizem com suas quase imperceptíveis ações e reações: murchando, florindo, verdejando...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Futebol (post a la twitter)

Precisa tanto barulho por conta de uma bola e (atualização: quase) duas dúzias (são 24 mesmo, certo? - atualização: corrigindo: 22) de homens de lá para cá? Saco.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Das gentilezas

Não sei vocês, mas quando alguém insiste em me pedir algo tipo presente de aniversário (que ainda nem chegou) ou então se pergunta repetidamente se eu gosto ou amo ou senti saudades ou se ele/a fez falta, eu perco o tesão total.

Me dei conta disso depois de tantas vezes a minha faxineira me pedir uma bolsa, ou isso ou aquilo, porque o aniversário estava chegando, dela ou do filho ou da filha ou do vizinho. Como se eu tivesse obrigação de dar algo. Não tive nem vontade de ir atrás do tal presente.


Também me frustro com frequência aguardando gentilezas que nos deveriam ser dadas por livre e espontânea vontade, aqueles pequenos gestos que muitas vezes esperamos inutilmente. Uma porta aberta, um 'você primeiro', um 'hoje eu pago', um 'você está precisando de algo?', 'Está tudo bem?'. Não perguntas ou discursos retóricos, mas gestos de fato. Não adianta nada você perguntar se a outra pessoa quer um gentileza. Simplesmente faça, oras!

Pronto, desabafei.

Teste: Nihil durare potest tempore perpetuo.

Faça o seguinte: Perca todos os números do seu celular, folhas da agenda com eventuais números guardados, endereços de e-mail e trabalhe compulsivamente 10 horas por dia, deixando pouco tempo livre para diversão. Deixe passar uns dois meses nesse ritmo.

Quantas pessoas te ligaram só para dar um 'alô' ou escreveram um 'oi'?

Guardamos tantos números e dados desnecessários. É preciso um acidente como perder o celular para se dar conta disso. Mas, no meu caso, fui um pouco além. Percebi também que, de tempos em tempos, é bom 'recadastrar'. Vocábulo roubado de uma amiga que vocês não conhecem não que, basicamente, resume o fato de que nem amigos são para sempre. É preciso recadastrar aqueles que estão na categoria 'amigos' só por força do hábito, enquanto alguns novos colegas tanto se esforçam para demonstrar carinho e preocupação, o que os faz merecedores de um upgrade.

Recadastrando aqui.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Diálogo

“Deus criou o homem à Sua imagem e semelhança. E o homem lhe retribuiu o favor”
(Voltaire)


Deus: Meu filho, o que te aflige?

Homem: Senhor, todo poderoso, onipresente e onisciente, por que não atende meus pedidos? Por que não me ilumina este caminho tão sombrio que venho percorrendo? Por que não me poupa de tanto sofrimento e me revela a verdade, toda a verdade que preciso saber para poder tomar a decisão mais sábia?

Deus: Filho, conhecesses tu os pensamentos alheios: o que pensa de ti o teu pai quando erras, não obstante seus conselhos; a tua mulher, quando falhas, apesar de todo o amor que te dá; o teu filho, quando dizes não, ainda que pudesses fazê-lo diferente; ainda assim os amarias?

Homem: ...

Deus: Mesmo sabendo que eles te amam, fraquejarias e, talvez, perderias neles toda a fé. E o que sobraria? É esse preço que quereis pagar? A troco de quê?



Homem: ...

terça-feira, 12 de maio de 2009

O tempo

Já escrevi antes sobre ele aqui e aqui. As abordagens foram bem distintas, mas o tema nunca saiu da minha agenda.

Dizem por aí que o tempo tudo conserta. É verdade. Mas também é verdade que ele pode estragar tudo de vez. Acho que tudo depende do ponto de vista, não é?

Sempre defendi que somos responsáveis por tudo aquilo que nos acontece. O tempo é só meio para ajudar a cicatrizar os males e consolidar as decisões. Mas ele sozinho nada faz. Deixar as coisas se resolverem é covardia. Mas quem nunca fez isso que atire a primeira pedra!

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Word of the day: Fidelity

Eu adoro o 'word of the day' do Merriam Webster's. Recebo todo dia uma palavra em inglês com a sua pronúncia, significado, exemplo de usos e etimologia. Pra se cadastrar e receber gratuitamente a palavra do dia é só ir aqui. Hoje, curiosamente, a palavra foi fidelidade:

fidelity \fuh-DELL-uh-tee\ noun
*1 : the quality or state of being faithful
2 : accuracy

Example sentence:
Jake's fidelity to his employer was severely tested when he received a tempting offer from another company.

Did you know?
You can have faith in "fidelity," which has existed in English since the 15th century; its etymological path winds back through Middle English and Middle French, eventually arriving at the Latin verb "fidere," meaning "to trust." "Fidere" is also an ancestor of other English words associated with trust or faith, such as "fiduciary" (which means "of, relating to, or involving a confidence or trust" and is often used in the context of a monetary trust) and "confide" (meaning "to trust" or "to show trust by imparting secrets"). Nowadays "fidelity" is often used in reference to recording and broadcast devices, conveying the idea that a broadcast or recording is "faithful" to the live sound or picture that it reproduces.

Pergunto: Como é que as pessoas expressavam a sua fidelidade em inglês antes do século 15, hein?

E o vento trouxe de volta

Sempre deixei bem claro que a felicidade não me é muito produtiva aqui. Por isso estou de volta e me justifico pela ausência recente: Era feliz e não sabia. Too late, probably...

Apenas queria registrar, para me forçar a voltar aqui e refletir*, que meu caderninho de anotações está cheio de material para a semana.

* escrever no meu blog é um ótimo exercício de reflexão, pois ouvir/ler as minhas vozes interiores às vezes soa algo ridículo, o que me faz repensar algumas certezas outrora tão firmes; também ouvir as opiniões alheias, quase sempre de pessoas que mal têm - ou tem? é acento diferencial? caiu? - conhecimento do que está acontecendo, também força refletir sobre pontos que não havia considerado anteriormente. Essa exposição me força a pensar bem antes de defender minhas crenças e opiniões. Aliás, seria muito fácil me encastelar com certezas e não pô-las à prova. Li recentemente, aliás, que as crises são excelentes oportunidades para crescimento. Era alguém falando sobre a crise econômica, mas acho que isso vale para a vida pessoal também. Das crises vêm desafios, saímos da rotina. E meu lado Pollyanna me diz que a única crise verdadeira é a não querer lutar para superá-la.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Sobre 'approaches': sucessos e desilusões.

Duas crianças estrangeiras, irmãs, provavelmente suecas, ou holandesas, ou húngaras, brincam durante voo. A brincadeira: traduzir palavras de um idioma estranho para o inglês. Tudo feito de maneira comedida e exemplarmente educada. Eram bilingues. Tinham pouco mais de cinco anos e falavam com a mãe no seu idioma e entre si em inglês.

No banco de trás delas, diferentemente, uma criança brasileira, de uns 4 anos, conversa com a mãe em um tom de voz que até o piloto podia ouvir. Em certo momento, ela tenta puxar um papo com as duas crianças estrangeiras: "Oi?". A tentativa se repete a cada 15 segundos durante metade do voo, sem sucesso.

Então ouço: - "Why does she keep doing that, mom?"
E a brasileira: - "Oi?", "Oi?", "Mãe, porque eles não falam comigo?" "Oi?"
A mãe da brasileirinha ainda estimula: "Diga 'Hello' porque elas são estrangeiras, filhinha"
- "Hello?", "Oi?"

Em um momento de sinceridade que parece ser dado apenas às crianças, ouve-se: - "Eu não querrrr falar".

Metade do avião caiu no riso.

Refleti sobre esse nosso hábito de achar que é dever dos outros nos tratarem bem só porque estamos sendo simpáticos, de corresponder às nossas expectativas. Não nos ensinam que nem sempre os outros estão 'a fim', e isso não é de forma alguma um problema. Precisamos aprender a respeitar os outros, seus espaços e formas diferentes de pensar. Eu teria perdido muito menos tempo se soubesse isso antes.