Confiram aqui o artigo do Promotor de Justiça Ivaldo Lemos Júnior "Crime de homofobia: o Estado sou eu", publicado no Jornal de Brasília de hoje, 27 de agosto, caderno "Opinião", página 10. Quando acho que as coisas estão mal eu me convenço que elas ainda podem ficar piores.
Por exemplo, com os comentários de dois sujeitos ao texto desse Sr. Ivaldo:
"Esta retórica dos direitos dos Homos, não passa de afirmação gay via lei, querem na verdade serem aceitos por força de lei. Não existe direitos do gays, pura ficção, o que deve existir são os direitos do homem, no sentido universal, sem definição de cor, raça, sexo, etc. Querem na verdade com o projeto de lei estabelecer uma mordaça gay, como não tem argumentos para convencer que a prática homo é natural, normal, buscam na censura o silêncio de uma verdade. O que cabe aos homos é serem respeitados como seres humanos, como qualquer outro. Há bons fundamentos para afirmar que uma relação homo é antinatural, sem ser pré-conceituoso."
João Marcos - risomajo@yahoo.com.br
28/08/2007 - 14:47:42
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"Muito Boa a opinião do Promotor, até que enfim alguem que enxergar a verdade sobre esse assunto, que vem apresentado como sendo algo normal. Não existe esse negócio de ficar tratanto homosexuais como coitadinhos e discriminados, são uns safados, sem vergonhas que veem se aproveitando da inocência da sociedade para com suas atitudes vergonhosas e ultrajantes. Todo homossexual é pedófilo e doente que precisa de tratamento, e não de mais espaço na sociedade como se sua conduta fosse normal."
Mário Augusto de Oliveira Neto - maugusto@tc.df.gov.br
27/08/2007 - 18:47:13
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Venham cá:
Como minha mãe leria um texto assim? Ela que, teoricamente, de gay só conhece o que é esteriótipo, nunca se permitindo conhecer todo o universo que há na vida gay, como reagiria? Com mais preconceito e repulsa, com certeza. Assim como os ignorantes leitores (são apenas eles?) do Jornal de Brasília.
Perguntaria ao ilustre Promotor de Justiça (aliás, dá pra falar sobre justiça com alguém assim?) se ele se sente representado pelo Renan, ou pelo Lula, ou seja lá quem for, na sua heterossexualidade. Eu não me sinto representado pelo Prof. Mott, cujos comentários não julgo apropriados mas, enfim, ele tem direito de expressão. Há diversidade de heteros, de gays, de negros... e não podemos generalizar um movimento assim, não acham?
Acho triste um senhor como esse, tão carregado de preconceitos, trabalhar com assunto tão sério em um momento onde nossos direitos começam a se consolidar e ganhar reconhecimento público.
Aposto que se fosse há uns 50 anos, um senhor como esse diria: essas mulheres querendo trabalhar fora daqui a pouco vão achar que merecem ganhar salários como os nossos.
E depois, com os comentários desses dois outros sujeitos, como é que o Sr. Ivaldo ainda consegue dizer que a 'oposição' está desorganizada? O preconceito é praticamente uma instituição dia-a-dia fomentada com argumentos como o dele.
O mundo é tão grande mas ainda tem gente se incomodando com a existência de pessoas diferentes (lembremos, não há opção, mas orientação sexual). A dificuldade em lidar com as diferenças é um dos grandes males da humanidade. E não me venham com "Deus não quis assim", por favor! Estado laico diz algo? Às vezes me sinto perdido no meio de tanta estupidez. Não culpo minha mãe, o padeiro ou o vizinho do lado, os quais não têm repertório para tratar tais assuntos, mas mestres em Direito como o Sr. Uziel Santana (vejam um artigo seu aqui), Promotores de Justiça, e outros cidadão que se dizem preocupados com as mazelas da sociedade, com a consolidação da democracia, com a paz... Por favor, voltem para a escola.
Lamentável.
terça-feira, 28 de agosto de 2007
Dura lex?
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segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Ogni Mio Istante
"...sai
come vorrei
che fossi io
amore mio
a dirti addio…"
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domingo, 19 de agosto de 2007
Impressões não muito seresteiras
Semana passada eu toquei na Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro, não como solista, mas como convidado, escondido lá atrás do Steinway e daquela celesta que era pior do que mulher de cafajeste: só cantava abaixo de paulada.
Participei dos ensaios, claro. Para isso, tive algumas horinhas de licença do meu chefe. Engraçado: mudou o ambiente, mas as diferenças não foram muitas. Foi como se eu apenas tivesse mudado de andar no meu ministério. Os músicos da orquestra são, acima de tudo, funcionários públicos. E nesse ambiente há te tudo, como em qualquer outro ambiente do Executivo: há os que pouco fazem, há aqueles que trabalham 3 vezes mais para compensar a ineficiência dos outros, há aqueles que dizem que estão trabalhando, os que só fazem o que o chefe manda (esses, a duras penas, ressalte-se), há os que se acham chefes, os que não acham nada, há músicos geniais, há medíocres, etc.
Enfim, uma peça de Nelson Rodrigues daquelas que têm o funcionário público como personagem central poderia facilmente ser adaptada para um ensaio da orquestra, com todos os matizes do grande draumaturgo.
Acho meio perigoso esse negócio de funcionário público fazendo arte. É muito bom dotar o músico de estabilidade, afinal ele já dedicou tanto tempo, tanta energia, tanto dinheiro para fomentar seu talento. Mas a postura de alguns acaba prejudicando o resultado: há muita gente acomodada com a estabilidade se esquecendo que seu objeto de trabalho é a Arte. Há que se trabalhar com esmero, com cuidado, com paixão!
No final, a impressão que ficou: dava tudo para ter estudado um instrumento de orquestra e trocar meus processos licitatórios por sinfonias de Brahms.
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Arte das musas - agosto/2007
Como comentei mês passado, todo mês sai um texto meu na intranet do ministério para o qual trabalho. Abaixo copio o que escrevi neste mês. Lembro que o público é leigo e meu objetivo é trazer esse público mais para perto da música erudita. Comentários são bem-vindos.
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Freqüentemente, em conversas sobre música erudita com amigos, ouço reclamações sobre a dificuldade em lidar com tantos nomes de compositores, de obras e estilos. Assim, minha intenção hoje é apresentar de forma sucinta alguns dos períodos mais importantes da música erudita, os seus maiores expoentes e, em alguns casos, as obras mais importantes. Faço uma ressalva apenas: escolhi simplificar bastante para que todos tenham uma visão panorâmica desta arte.
Música Medieval (séc. VI – séc. XV)
Uma das características da música erudita é sua notação musical, que permite a fiel execução do que tencionava um compositor de séculos atrás nos dias de hoje. Há indícios de notação musical no Egito e Mesopotâmia do terceiro milênio a.C. Entretanto, como a conhecemos hoje, teve início e grande desenvolvimento na Idade Média. Os nomes das notas musicais (Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá e Si) foram extraídos das sílabas iniciais de um hino a São João Batista, intitulado Ut queant Laxis, do monge beneditino Guido d’Arezzzo (aprox. 992 – aprox. 1050).
São encontrados poucos registros de música medieval no mercado brasileiro em comparação com os dos períodos mais recentes, destacando-se os cantos gregorianos – música de apenas uma melodia, desacompanhada –, utilizados nas celebrações religiosas da Igreja Católica. Seu texto é de grande importância, revestido de importância superior à melodia, razão pela qual os monges entoam esses cantos sem qualquer impostação vocal (como a dos cantores de ópera, por exemplo). Cantar era tido como um ato de devoção. Segundo ensinamento de Santo Agostinho, “quem canta ora duas vezes”.
Dos seus compositores, podemos destacar Leonin (1135 – 1201) e Pérotin (1160 – 1236), ambos franceses.
Música Renascentista (séc. XVI)
A transição para a música da Renascença não é muito clara, uma vez que a introdução de características renascentistas foi lenta. Sob influência estética das antigas Grécia e Roma, com a substituição gradual do teocentrismo pelo antropocentrismo, a marcar a primazia do Homem sobre Deus, temos nomes como Giovanni Pierluigi da Palestrina (Itália, 1525-1594) e Claudio Monteverdi (Itália, 1567- 1643), ‘pai’ da ópera. Deste último, as óperas ainda hoje mais representadas são L'Incoronazione di Poppea e Il Ritorno d'Ulisse in Patria.
São características da época o uso do contraponto, técnica usada na composição em que duas ou mais vozes melódicas são compostas seguindo regras pré-estabelecidas, e da polifonia, que é a utilização de várias vozes com linhas melódicas distintas em uma composição musical.
Música Barroca (séc. XVII – meados do séc. XVIII)
Assim como no Barroco – o movimento estilístico e filosófico –, a música desse período trata do fervor religioso e da passionalidade, buscando-se Deus através da música. Foi uma das épocas musicais mais importantes, pela novidade das criações e influência posterior, cujos efeitos são sentidos até a atualidade, marcando também o apogeu da música instrumental.
Dentre seus compositores mais notórios, sobressaem Antonio Vivaldi (Itália, 1678-1741), Georg Friedrich Händel (Alemanha, 1685-1759) e Johann Sebastian Bach (Alemanha, 1685-1751). Do primeiro, ressalto a série de concertos para violino e orquestra chamada “As quatro estações”, da qual conhecemos muito bem o primeiro movimento do concerto “Primavera”. De Händel, destaco a suíte – que nada mais é do que uma série de danças – “Música Aquática”, demandada pelo Rei George I para ser executada sobre um barco no rio Tamis, e a “Música para os Fogos de Artifício Reais”, para comemorar o fim da guerra da Sucessão Austríaca e a assinatura do Tratado de Aix-la-Chapelle.
E do grande Bach, cuja obra ficou esquecida por praticamente um século após sua morte, destaco a obra para cravo, o antecessor do piano, a série de prelúdios e fugas intitulada “O Cravo Bem Temperado” e as “Variações Goldberg”. Estas, reza a lenda, compostas para o conde Hermann Karl von Keyserling, ex-embaixador russo na Saxônia que, acometido freqüentemente de insônia, teria solicitado a Bach uma obra a ser executada pelo talento de J. G. Goldberg, então cravista do conde, para consolar suas noites não dormidas.
Da obra coral, destaco a “Paixão Segundo São Mateus”, a “Paixão Segundo São João”, e a “Missa em Si Menor” (freqüentemente digo que essas músicas devem compor o cenário de entrada no Paraíso!). Da sua obra para instrumentos de cordas, muito significativas são as Suítes para violoncelo solo - lembrando que as Suítes são séries de danças - e as Partitas – as Suítes barrocas geralmente vinham acompanhadas de uma designação: Suítes Inglesas, Francesas, Italianas ou Alemãs, estas últimas mais conhecidas como Partitas - para violino solo, que utilizam praticamente todo o potencial desses instrumentos e que são repertório obrigatório e desafio constante para todos, pela dificuldade técnica e musical. A obra para órgão, instrumento que dominava, é extensa e genial. Há ainda diversas combinações dos mais variados instrumentos, como os Concertos de Brandemburgo, ficando de fora apenas a ópera, gênero nunca abordado pelo compositor.
Nas próximas colunas escreverei sobre os períodos posteriores da música erudita: clássico (viram por que não utilizo o termo ‘música clássica’ para o assunto desta coluna?), romântico, impressionista, moderno e contemporâneo. Há muito que escrever e pouco espaço, e assim fico sempre à disposição para esclarecer as dúvidas dos leitores. Aproveito também para agradecer os e-mails de apoio, as sugestões e comentários.
Até breve!
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terça-feira, 31 de julho de 2007
Sil(vi)ogismo
Deus, perfeito, ama o Homem.
Este é cópia imperfeita Daquele.
Logo o amor do Homem é imperfeito.
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Silvio Garcia Martins Filho
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sábado, 28 de julho de 2007
...E o Vento Levou
A cada fracasso amoroso, uma dor aguda de morte.
É um pouco de nós que morre.
O amor, alimento supremo, se esvai.
Dói como da primeira vez, senão mais.
E assim, nos tornamos mais duros, céticos, medrosos, introvertidos, egoístas, mesquinhos.
...o tempo passa, e as chances de dividir a vida com alguém só parecem diminuir.
Por que viver algo que tem fim?
A vida é assim: um dia morremos.
Mas viver, um dom (?), nada mais é que fruto da escolha (?) dos nossos pais.
Se tudo acaba, até a vida, pra que começar quando podemos escolher não fazê-lo?
Muita gente diz que vale a pena o caminho percorrido, as experiências vividas.
Eu não sei mais.
Só sei que sozinhos nascemos... e morremos.
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Silvio Garcia Martins Filho
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terça-feira, 10 de julho de 2007
Arte das Musas - julho/2007
Não importam muito as razões que me impediram recentemente de escrever outro post para este blog, mas a que me faz voltar aqui: vim registrar um texto meu que foi publicado na intranet do Ministério para o qual trabalho. Virei colunista de música erudita! Esse texto é o primeiro de uma série. Pretendo todo começo de mês copiar os textos neste blog.
Arte das Musas - jul/2007.
Muitas perguntas surgiram quando comecei a rascunhar este texto: como e por que escrever sobre música para um espaço onde até hoje só se havia tratado de assuntos diretamente afetos ao trabalho? E por que erudita? Deixando de lado a minha paixão pela música que me impele a falar sobre o assunto horas a fio, que razão exterior me faria escrever sobre o tema?
Aos poucos foram surgindo algumas respostas. Perguntas novas também.
Assim, pretendo com essa coluna, graças à oportunidade dada pela ASCOM, iniciar um debate sobre a matéria (e para isso conto com o retorno dos leitores!), apresentando algumas idéias bem pessoais que não ouso trazer de forma alguma como verdades absolutas. É um desafio pessoal bem interessante: apresentar conceitos, histórias, curiosidades e dicas, relembrando a época em que o meu gosto pela música ainda era desacompanhado de conhecimentos técnicos. Alguém – foi Frank Zappa? – certa vez disse que “escrever sobre música é como dançar sobre pintura”. Está feito e aceito o desafio.
Há que se lembrar que na Antiguidade a música era dotada de elevado valor para o desenvolvimento intelectual e para a formação do homem. Também a música tem sido constantemente utilizada como instrumento de trabalho psicológico e social. Tampouco se pode esquecer do simples fato de que proporciona prazer. Então à minha primeira pergunta, além destas ponderações, acrescento outra: por que não falar de música?
Mas por que música erudita? Cabe aqui lembrar que uma das divisões mais usuais da música abarca quatro grupos, cada qual com inúmeras subdivisões: música erudita, música popular, música folclórica ou tradicional e música religiosa. Rebato veementemente qualquer afirmação sobre a superioridade deste ou daquele grupo. Entretanto, como a vida é feita de escolhas e dolorosas renúncias, optei pela música erudita, à qual me dedico há mais de 10 anos.
Com as devidas respostas muito resumidamente postas, inicio a discussão propriamente dita com uma afirmação por muitos contestada: gosto se discute. Explico melhor: não discutiria o fato de alguém ter gostado da 5ª sinfonia de Beethoven. Entretanto, frente a uma afirmação do horror que é a Sagração da Primavera, de Stravinsky, eu perguntaria: por que horrível?
Não podemos julgar um conceito musical com nossa percepção contemporânea. Façamos um paralelo com a pintura: não podemos dizer que um quadro de Giotto (1266-1337) ou de Picasso (1881-1973) seja feio porque não corresponde à realidade. Suas obras são manifestações originalíssimas das suas épocas, o primeiro trazendo inovações na matéria da perspectiva e o segundo com sua leitura “cubista”. Eles respondiam com suas obras a questões muito contemporâneas – a eles, claro. Mas àqueles que compreendem a inovação daquele balé de Stravinsky, da sua ‘nova’ linguagem moderna, do desafio que foi posto a tudo que era conhecido até então e que, mesmo assim, simplesmente não gostem da música, paciência... Apenas propugno que antes de afirmarem que não gostam desta ou daquela manifestação artística as pessoas se permitam investigar um pouquinho sobre ela, desarmar-se dos preconceitos e simplesmente sentir, tendo aquele conhecimento por pano de fundo.
Quando o assunto é música erudita, Brasília é a cidade das oportunidades para quem quer começar a conhecer ou mesmo para quem simplesmente quer se permitir alguns minutos de deleite com os grandes compositores da música dita universal. Há muita boa música gratuita ou a preços acessíveis, o que, ressalte-se, não é muito comum Brasil afora. Talvez isso se deva ao grande número de bons músicos de que a cidade dispõe. Há a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro, que se apresenta todas as terças-feiras, às 20h, com ingressos gratuitamente distribuídos a partir das 12h do dia anterior na bilheteria da Villa-Lobos, sala onde acontecem os concertos. Para os que não conseguiram pegar ingressos, há a chance de ficar em uma fila para a qual o ingresso é permitido 5 minutos antes do começo do concerto, até o limite da lotação da sala. Há recitais semanais, também gratuitos e de elevado nível, no auditório da Casa Thomas Jefferson da SEP Sul EQ 706/906. Por fim, podemos encontrar boa música no auditório do Departamento de Música da Universidade de Brasília ou na Escola de Música de Brasília, com alunos, professores e/ou convidados. Quanto a estas duas últimas sugestões, uma dica: confirme programação e horários, que são muitos e variados, antes de se deslocar até lá. Isso não quer dizer, entretanto, que não estejamos sujeitos a decepções naquelas duas outras salas também, claro. Por fim, há muitas apresentações interessantes no Centro Cultural Banco do Brasil e na sala Martins Pena, cujas programações podem ser conferidas no Correio Braziliense.
Uma vez vencida a inércia que nos faz seguir do trabalho direto para casa, aliada à onipresente e “moderna” desculpa da falta de tempo, permita-se começar um concerto ou recital desacompanhado dos problemas cotidianos ou profissionais. Deixe seu relógio guardado, desligue o celular (por você, pelos seus vizinhos de platéia, pelos músicos e pela música), aliene-se do tempo e entregue-se ao discurso... Sim, porque música é discurso não-verbal. Concentre-se, ouça cada frase musical como um argumento, procure criar conexões entre as frases, dê um sentido a cada uma e ao todo. Essa liberdade de entendimentos é o que torna a música erudita tão incrível.
Nas próximas colunas pretendo continuar abordando temas que, quiçá, permitirão àqueles que não tiveram contato com a música erudita possam dela se aproximar, desvendando seus mistérios e, para os que já têm alguma familiaridade, que este seja um momento de troca. Falarei um pouco mais sobre a idéia de música como discurso e, com base nisso, apresentarei alguns conceitos importantes, períodos, estilos e compositores. Muito há por apresentar, mas o espaço é exíguo. Enquanto isso, estou aberto para comentários, sugestões, perguntas e ponderações que certamente contribuirão para se constitua aqui um espaço efetivo e profícuo de discussão.
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quinta-feira, 12 de abril de 2007
Tempus Fugit
Nas situações de crise nos vêm à tona certos temas, aqueles que de certa forma nos intrigam.
No meu caso, o tempo.
Não o tempo como dimensão física, definido a partir da duração de uma transição eletrônica entre dois níveis específicos de energia entre os níveis hiperfinos do estado padrão não perturbado, num átomo puro de Césio , somando 9.192.631.770 períodos dessa radiação... ou algo assim.
...mas o tempo subjetivo e as percepções que enseja.
Quando criança, uma tarde durava uma eternidade. Entre o almoço e o programa do Bozo eu dormia umas duas vezes, fazia uns dois lanches, brincava e quando via não eram ainda nem 17h.
Tudo era novo, a ser descoberto.
O tempo foi passando, os mistérios descobertos, e as atividades passaram a ser rotineiras. Acordo e quando vejo, puf! Já são 20h! Fora um pôr-do-sol extraordinário, ou alguma música que tenha ouvido por acaso do carro ao lado que tenha me lembrado algo, o dia passa de forma quase mecânica. Não me despertam mais interesse todos aqueles sinais, símbolos, pessoas, gestos... fui treinado para isso.
A lembrança de outros tempos inclui "sons e perfumes permeando o ar da noite". Toda aquela sensação de satisfação, de conhecer e ignorar, de perder-se e encontrar-se. Tudo isso faz do passado pleno, atraente, terrivelmente atrativo. Um perigo para os depressivos.
A memória recente: acordar cedo, trânsito, 'conjunto, rodoviária, esplanada, tá vazio!", ofício, memorando, almoço ruim, "brasília, w3norte, tá vazio!", trânsito, muito trânsito, fome, sono, preparar o despertador.
Hoje creio que buscamos o desconhecido devido a uma necessidade de sentir novamente aquelas sensações da infância/adolescência, de constante descoberta. Parece não haver mais o que se descobrir. Que desespero!
Não é a falta de tempo que nos incomoda: a sensação de o tempo estar passando rápido demais se deve ao fato de não repararmos mais nas pequenas coisas. Ligamos o automático e, no máximo, reclamamos. E assim, o tempo vai passando.
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Fiat lux.
(Das afirmativas)
Tudo parte do começo. Pois que então cá (re)começo eu. Evitarei transformar isto num confessionário, assim como exercitar quaisquer intenções literárias. Entretanto, nada garanto, afinal eu...
(Do meio-termo ou das indefinições)
Eu? Você não sabe, né? Eu... eu tinha tudo para nada ser. Falhei. Não que seja grandes coisas, mas fugi de tudo (?) aquilo que me parecia determinado pelo universo. Tenho 27 anos, 10 a mais do que tinha previsto chegar aos meus 12 anos.
(Das negativas)
Não virei prostituto, embora goste da matéria. Não me drogo, embora goste de fugir. Não me tornei músico, por mais que tudo me levasse a isso. Nada externo me dói, emociona ou angustia. Somos apenas eu, o centro do universo, o meu, e outros personas, satélites perdidos.
Das generalidades:
Não que seja esse o intuito, mas mais sobre mim se poderá extrair dos próximos textos... por partes, como Jack.
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Silvio Garcia Martins Filho
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